Madame Zuleica Sabe Tudo
De vez em quando eu entro no meu horóscopo virtual e fico admirado com o cão desse negócio. Tem uma parte, escrita: “veja com que outro signo o seu combina”, e, clicando, eu passei a ler uma lista de como capricórnio bate certinho com todas as outras casas do zodíaco. Quer dizer, uma pessoa com o mínimo de observação possível iria perceber que, entrelinhas, todo mundo casa bem. Vamos dar uma chance ao horóscopo virtual, pessoal. Vamos supor que o que tem ali não sejam as peripécias cafajestes de um sociopata querendo encher os bolsos como todo mundo. Faça de conta (quanto tempo, hein, adultos?) que se trata de uma crítica elaborada que tem como vertente o princípio básico de que todo amor tem algo que valha a pena. Realçar esse apriorístico com um “vocês formam uma dupla incomparável nos negócios” quando, de fato, ninguém consegue economizar melhor o dinheiro da feira substituindo aquela Qualy por um tijolo lactício comestível, ou “vocês sabem como incendiar uma cama”, sublinhando veridicamente que mais ninguém teria a audácia de peidar tanto perto de velas de cheiro, tudo isso, serve de ajuda para pessoas que normalmente não sabem dar o devido valor ao que tem e precisam de uma forcinha. De fato, abstraindo, todos temos algum ingrediente pra jogar na panela da relação. E no final das contas, gosto, amor e hospício tem uma coisa em comum: As vezes a gente acha loucos sorrindo.
Escrito por Mestre Fernando às 11h12
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Parasitas Imundos
Ó, vermes devoradores da putrefata carne humana, mastigadores do húmus sepulcral que escorre dos corpos sem vida, das mentes absortas, dos corações vencidos e, porque não, dos desiludidos...se brotam agora da terra, rastejando na gana dos restos, dos meus restos, do que restou de um outrora sonhador, saibam que não terão de mim nem minhas unhas ruídas das noites miseráveis que passei em claro, regurgitando o grito enlouquecido da minha consciência. Nem os meus cabelos que escorreram pelo calor escaldante do sol, do miserável sol que nunca ofereceu uma trégua a um perdedor, que pelo menos queria ver suas lágrimas chegarem ao chão para irrigar sua decepção. Nem isso! Secou-as tempos atrás, esfera flamejante dos infernos! Não terão nem mesmo o meu coração. Esse eu mesmo o arranquei, para que, com o meu último esforço, com meu último fôlego, eu mesmo pudesse mastigá-lo e saber o quê havia restado. E o gosto foi acre e rançoso... A única coisa que deixo para vocês, são minhas fezes. E a promessa que sua ninhada maldita não brotará das minhas entranhas, pois, se não fui homem inteiro em vida, não sou metade de um cadáver. Que as únicas que tenham algo de mim, sejam as flores. As únicas companheiras que compadeciam minha cada tristeza. Só desejaria saber, de mim, quais flores brotariam?
Escrito por Mestre Fernando às 10h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|
Meu perfil
BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Gastronomia, Cinema e vídeo
|
|